A noite foi do PT! Não só do Planeta Terra, mas também do Primal Scream e do Ting Tings! As duas bandas trouxeram os shows que me deixaram mais vidrada numa noite de hipnoses, em que até as luzes do looping contribuíam. Era difícil saber pra onde olhar com tantas opções e isso tudo dentro de um mesmo festival. Acompanho o terra desde seu início em 2007 e mesmo já sendo lugar comum, o parabéns à organização do evento precisa ser registrado. É importante lembrar que esse 7 de novembro foi marcado por um outro festival gigante na mesma cidade de São Paulo, o maquinária, que contava com nomes como Faith No More, Jane's Addiction, Deftones e Nação Zumbi no line-up. Aliás, queria relatos do Maquinária, alguém foi?
Macaco bong:
Eles tocavam com o corpo todo no que a gente acreditou que seria o melhor show da noite, ainda que tivessem sido a primeira banda a pisar no Main Stage. Acho que considerávamos o agito da cidade naquele momento, em que com tanta ótimas opções, a sensação era a de que a escolha tinha sido exata. E nesse Macaco Bong, quando disse que eles tocavam com o corpo, não estou me referindo a maluquices como as costumeiras em shows do Móveis Coloniais de Acaju, próxima banda a entrar no Main Stage, em que eles trocam as mãos pelos pés na hora de tocar trombone. O que estou querendo dizer é que os integrante do Macaco Bong sentiam o som produzido pelos seus próprios instrumentos no corpo e traziam pra gente de volta: foi como se artista e público estivessem vindo de um corpo só. Não que o show dispensasse público, mas, pelo contrário, nos presenteava com uma quantidade de sensações em dobro, era de uma completude, era do nome multifacetado do primeiro cd dos caras se fazer preciso: "Artista igual pedreiro". O destaque ficou para "Noise James", como não poderia deixar de ser, música incrível. Para quem quiser conferir, o site da gravadora Trama Virtual disponibiliza o álbum para download gratuito.
Móveis Coloniais de Acaju:
O móveis pra mim era o show mais desejado do dia! Eles destroem a gente e mesmo assim saímos com um sorriso muito largo! Os meninos foram muito divertidos, levantaram até os fãs de Sonic Youth que já estavam bem impacientes. Mesmo para quem não conhecia o som dos caras, o show foi um bom esquenta enquanto a banda preferida ainda estava há horas de distância. O sol vinha bem quente e o som também era bem quente, assim deixo a descrição desse Móveis no Planeta Terra para o título da música nova do Macaco Bong: "Um G bem quente".
Setlist:
Bem Natural
Descomplica
Cheia de manha
Cão guia
Aluga-se vende
Copacabana
O tempo
Falso retrato
Sem palavras
Indiferença
Mas o que me impressionou nesse show para milhares de pessoas foi a roda que a banda organizou com o público. Para quem conhece a banda, já é uma velha experiência participar da roda feita pelo público sempre na parte instrumental da música “Copacabana” em volta dos instrumentos de sopro. Tinha certeza que a roda não aconteceria no planeta terra, afinal de contas o público era imenso! Mas aconteceu uma roda. Só ali na frente, pequena perto da quantidade de pessoas e incrível! É dessa energia e interação com o público que se sustenta o show da banda! Em alguns sons, o show foi mais ou menos assim: papapapapapaparararararara.
Primal Scream, o p do pt:
O Primal Scream tem um peso difícil de entender escutando no rádio, uma melodia difícil de dançar quando o escutamos no rádio, é uma banda de palavras difíceis de se ter o sentido todo preenchido quando o som vem do rádio: "Get your rocks off, get your rocks off, honey!" (Rocks). Mas quando a banda entrou no palco pontualmente às 20:30h, em meio à luzes de colorido certo, a beleza foi instantânea e nossos olhos pulsaram de esclarecimento. Diante dessa revelação muito séria, as câmeras não eram capazes de capturar o que capturávamos com a vida: metade vinha num estilo sombrio e a outra metade de branco. Metade quis continuar no palco e exceder os 50 minutos de show, a outra metade deixou o palco sem se despedir. Estou falando do enigmático vocalista Bobby Gillespie e do fantástico guitarrista Andrew Innes. Os acordes pronunciados pela guitarra nos faziam lembrar que as bandas boas a gente sente no peito, as músicas vibram coladas na gente e aí não tem mais volta. A outra metade da banda, traduzia a loucura em compreensão e muito Rock. Da nossa parte, a dança se fazia intensa e desesperada para tentar acompanhar a sensação. Em meio as sirenes de Swastika Eyes, a loucura era tanta que no vídeo filmei tudo menos o palco: http://www.youtube.com/watch?v=ge_veuoj9Yw. O resto da noite foi embebido por Primal Scream, de modo que as minhas sensações já não eram mais confiáveis. O que acontecia de fato não importava. O que pairou no ar do Playcenter naqueles 50 minutos de show e o ar que passamos a respirar daí para frente é tudo o que restou concreto nessa noite.
Setlist:
Suicide bomb
Can't go back
Accelerator
Movin' On Up
Miss Lucifer
Country Girl
Rocks
Swastika Eyes
Shoot Speed Kill Light
Exterminator
Jailbird
Deep hit of morning sun
No site oficial da banda, algumas músicas do último álbum, o “Beautiful Future” de 2008, estão disponíveis para download. O álbum contou com a produção de nomes como Björn Yttling do Peter, Björn and John e com a participação de Lovefoxxx, vocal do CSS, na música “I Love to Hurt (You Love to Be Hurt)” e Josh Homme, do Queens Of The Stone Age, na música Necro Hex Blues.
Maxïmo Park:
Uma das consequências desse Primal Scream foi que o show anterior, do Maxïmo Park, foi apagado completamente de mim. Dessa forma, o relato não se fará possível, as guitarras deles não vibraram em mim. Deixo um vídeo da música “The Kids Are Sick Again” e aí cada um decide como foi:
The Ting Tings, o t do pt:
O Ting Tings parecia muito complicado, afinal quem presenciou a dupla inglesa de batidas viciantes enfrentou uma escolha de não ver a aparição de uma lenda no palco ao lado. Estávamos cegos à mitologia e no entanto, o Ting Tings mostrou porque é um dos nomes mais comentados hoje (e ontem): cada batida de “That's Not My Name” nomeava a sensação de estar ali e cada brincadeira do baterista Jules De Martino anulava alguns pingos da chuva gelada que caía no ritmo desse show de horário exausto. Afinal, outra dificuldade da banda era passar em cima do cansaço de um público de horas em pé e cachorro quente no estômago. Foi fácil: http://www.youtube.com/watch?v=0o33sIFXkp8. “Great Dj” levou embora toda a chuva. Não consigo dizer se ainda chovia ao final dela. Mas o que realmente aconteceu não importa, o que era importante pairava no ar:
No set, o cd “We Started Nothing” não foi todo saciado, deixando de lado a música “Traffic Light”.Destaque para “We Walk” e a lindíssima “Keep your head”:
Cristalino foi a palavra que visitou comigo todas as praias de Pernambuco. Quando cristalino veio mais calma nesse último dia de Recife pra mim, a pedido de alguém que também vinha de muito longe, a compreensão se fez instantânea. Recife é cristalino para outros olhos também. E o bairro do Recife antigo se tornou cristalino a partir do cristalino dos olhos de todas aquelas pessoas que estavam na torre Malakoff nesse 17/10.
E quando China disse que nem tinha setlist preparado? Ouvi todos os nomes de músicas dele berrados, na tentativa de compor no ar o melhor dos setlists já estruturados. Mas o que acabou por se formar foi um setlist nada convencional também: Câncer, Sem paz, Espinhos, Jardim de inverno, Acordo durmo, Cristalino, Um dia lindo de morrer e mais algumas músicas novas. As músicas novas são tão bonitas que arrisco a dizer que esse terceiro disco já é o melhor!
As músicas, poucas, cresceram tão rápido naquele corpo que China doava a todas elas. Ganharam vida e forma própria, mas só para se tornarem platéia também. Estávamos tomados. Dançávamos e cantávamos e tudo era muito misturado, as palavras se confundiam e as letras entalavam na garganta. Isso até que despertávamos guiados pela conversa com o China. E o show foi esse pôr-do-sol. Foi no pôr-do-sol. Era cristalino e se tornou delírio: “Durmo, acordo, acordo pra dormir de novo”. Cada música era composta na hora, totalmente nova, tamanha a roupagem que ganhavam na respiração de China. A intensidade com a qual ele sentiu no corpo a música feira pro Rafa (integrante do MOMBOJÓ, que faleceu em 2007), trouxe lágrimas. E derramou uma letra que a cada frase fazia o braço arrepiar de novo:
“Vai tudo bem, apesar de você estar mais distante, meu amigo”
E na metade do show me dei conta de que não tinha reparado nos músicos da banda H.Stern. A presença de palco do China me hipnotizou. E, ainda assim, ele insistiu não ser ator. Considero ator todos aqueles que vivem o palco, vivem no palco, dando forma ao que é dentro só sensação. E, voltando a falar de música, segue aqui uma outra música nova apresentada no show que ele fez para a esposa: http://www.youtube.com/watch?v=qTO7whSICoQ
E esse fim de tarde foi assim:
Durante o intervalo de algumas músicas, fazíamos perguntas para o China e aconteceu uma conversa. Nada de perguntas e respostas travadas de entrevistas, isso tornou o show ainda mais especial. Recebemos a informação de que ele está gravando seu terceiro disco de forma independente, como já tinha sido relatado em vídeos no youtube com trechos de gravações. Ele nos deu uma possível data de lançamento do cd para março/2010, mas se tratando de um disco independente os prazos se tornam mais complicados. Ele recebeu propostas de gravadoras, mas elas não permitem disponibilizar o disco para download tão abertamente como ele faz. Segue um trecho de uma das respostas de China em que ele fala sobre sua música: http://www.youtube.com/watch?v=EL0F7vXT9xg
“Canção que não morre no ar” só não tocou para quem não respirou todas aquelas músicas. Esse 17/10 permaneceu no ar. Me confundiu a noção geográfica: viajou comigo e desembarcou no aeroporto quando o dia 18/10 já tinha amanhecido. Meu sorriso se tornou muito largo nessa noite que terminou na praça iluminada em palcos de circo e com sorrisos muito mais largos que o meu. Eram do público de lá.
Em um dos shows, o pianista tirou um dos sons mais legais que eu já ouvi de um piano de brinquedo. No segundo show da noite, o palco era composto por cinco imensos bonecos de Olinda. Mas tudo isso era uma brincadeira muito séria numa sexta-feira, 16/10. A brincadeira da segunda banda da noite definia seu som: a banda teve seu início atrelado a brincadeira dos músicos com covers de músicas bregas. Mas como diz o início da música “Ciranda enrustida”, é pra levar essa brincadeira a sério! E eles levaram, tanto que até ganharam público de verdade. A banda é a “Academia de Berlinda”, banda formada em Olinda e que teve seu primeiro cd lançado em 2007 e que tem como título o próprio nome da banda.
Mas vou começar aqui pelo que foi o primeiro show da noite. Era para ser um pocket, mas a intensidade foi de um show inteiro. O pianista Victor Araújo se juntou com a banda Rivotrill para concretizar um projeto que se formou na sua cabeça quando ele teve contato com um show dos caras pela primeira vez. Percussão, flauta, saxofone, baixo, piano e mais uma infinidade de instrumentos e performances acontecem nessa junção. Os músicos são tão incríveis que não teve como não resultar numa surpresa para nossos ouvidos, nossos olhos, que entraram no auditório procurando atentos um piano de calda e para os pulmões, que acompanharam um ritmo outro, completamente novo.
O registro dessa deliciosa loucura está num dvd de poucas cópias do show que aconteceu no teatro da UFPE e conta com o trabalho artístico de Fernando Duarte que personalizou as capas com um trabalho incrível. Durante esse pocket show na livraria cultura do Recife nesse 16/10/09, Fernando fez diversos desenhos no palco e que, após o show, foram dados à platéia! O pocket contou com a apresentação de quatro músicas, sendo que duas não estavam no dvd. Isso mostra que ainda tem muita coisa boa por vir desse projeto. Fica aqui a esperança de que Victor Araújo não esqueça de tomar seu Rivotrill todos os dias, já que essa junção trouxe um arrepio diferente a cada música apresentada no braço de quem estava assistindo. O pocket contou ainda com perguntas trazidas pelo público à banda. Divertidas e leves, as respostas preencheram a sala e viraram música também.
Depois desse show foi difícil a corrida até a UFPE. Estávamos em outro tempo. Não era nem o meu tempo de tão longe, nem o de Recife, tão perto. E nessa brincadeira, acabei encantada por um palco lindo e imenso de uma banda que me tirou pra dançar. Foi de ninguém ficar parado, foi de fazer a cirando no palco. Uma dança que ficava cada vez mais intensa para retribuir a sensação que os sons causavam na gente. O setlist contou com a apresentação de várias músicas novas que traziam a promessa de um cd por vir, algumas marcaram a noite pelas letras que se faziam um pouco mais elaboradas do que as encontradas no primeiro cd.
A Academia conta com integrantes que participam de bandas de peso, como Eddie, Mundo Livre sa e Orquestra Contemporânea de Olinda e por isso, eles têm quem levar tudo muito a sério para conseguir conciliar as agendas. O destaque aqui vai para as músicas “envernizado”, “se ela gostar”, “ciranda” e “academia de berlinda” que ficaram incríveis ao vivo. A banda tende ao brega com letras como a da música “Ivete” e com a mistura de ritmos que resulta num show delicioso para dançar com quem você quiser. Meus vídeos não ficaram muito bons porque eles acabaram dançando comigo, mas segue o link do myspace da banda para quem quiser conferir: http://www.myspace.com/academiadaberlinda
Em alemão eles chamam de “schwedisch”. Em português, nós chamamos de música boa. Minha amiga acha que é alguma coisa na água de lá. Penso isso do Recife também! O projeto chama invasão sueca e já ocorre no país há um certo tempo, sempre incluindo São Paulo e Recife na rota de turnê. Assim, todo ano, músicos de um dos lugares que mais exporta bandas boas hoje no mundo, vêm fazer uma mini turnê por uma faixa mais quente, digo com maior incidência solar e invernos mais amenos, do globo. E o meu livro de geografia aqui pouco importa, já que com ou sem tradução simultânea, a sensação musical é entendida em outro plano. Este fica longe, bem longe dessa linguagem que necessita de significados precisos.
E esse ano foi de surpresas. Em pleno show de Britta Persson no lindíssimo teatro do sesc pompéia, entre luzes amarelas, roxas e na mais complexa luz branca da qual já presenciei, quis intitular a invasão desse ano de “coisas que descobrimos numa quinta-feira”. Aí teve a sexta e o título já não nomeava mais a experiência. O show da Britta foi de uma beleza hipnótica e cada vez que ela pensava em fazer uma pausa e deixar o palco, eu assustava. Queria mais. Por mim ela poderia tocar a noite toda. Só assim minha insônia teria sonhos sem sono.
Para quem quiser conhecer um pouco do som: www.myspace.com/brittapersson
E até a saída do sesc pompéia nessa quinta-feira se fez envolvente com alguns acordes que ultrapassavam a choperia e chegavam aos nossos ouvidos, era o ótimo Guizado que nos emprestava um pouco de sua energia.
Mas quem poderia dar mais dez shows iguais, que pagaríamos todos os ingressos de novo, foi o lindíssimo Those Dancing Days. A banda é formada por cinco meninas, que estavam extremamente animadas no palco. O show foi todo uma dança de instrumentos: as meninas dançavam no palco e nós, aqui da platéia podíamos sentir os movimentos nos convidando a dançar também. E aí, quem resiste?
“Living for music, living in a dance
Music for life, those dancing days” (“Those Dancing Days” - TDD)
Que me perdoe o pessoal do Recife, mas a gente ganhou um setlist bem mais incrementado, incluindo um cover divertidíssimo de Britney Spears “Toxic” e a delirante “1000 words”, minha maior surpresa da noite, música que saiu só no ep (2007), ficando de fora do cd “In Our Space Hero Suits” (2008). “Hitten” e “Run run” me tiraram do chão, de São Paulo, do mundo, foi incrível!
“The skies were bigger than I ever thought it could be
I really can't see where it ends
Clouds like bubbles in a sink touching my face
Makes me forget how to think” (“Run run” - TDD)
Confesso que minha máquina, que dançou junto comigo, pouco conseguiu relatar do show, exceto essa surpresa aí embaixo:
Definições? Escute as meninas no www.myspace.com/thosedancingdays e não se esqueça de dançar junto. E a minha descrição da invasão sueca desse ano fica por conta delas:
“We have learned like a thousand words
Even in different letters
You can talk and spell and write
Still with your opposite hand
So why is that so you don\'t know
How to tell me things you really wanna say
Say out loud" (“1000 words” - TDD)
Nada conhecia da Britta ou do Loney, Dear, (segunda banda a tocar na choperia do sesc pompéia na sexta), mas o Those Dancing Days me surpreendeu tanto que acabou se transformando numa banda toda nova. As músicas de letras fofas e batidas suaves nem de longe diziam o que seria essa sexta-feira em São Paulo. Voltem mais vezes!
A cidade lá fora estava um caos, trânsito bem mais maluco do que o normal – mas também, era um dia que estava longe de ser normal, né?! Mas o trânsito foi que não conseguimos chegar às 21h e na fila da entrada escutei a voz da Linnea do Those Dancing Days, que começava o show muito bem. Nesse momento, meu único pensamento foi: Por_que o Loney, Dear não podia ter começado o show? Que nada! Só o show completíssimo dos caras, com direito aos “pa pa pas” todos é que fez qualquer pensamento lançado contra eles ir embora.
O Loney, Dear foi definitivamente para fazer esquecer o caos lá fora. O show deles foi mais calmo do que o das meninas do Those Dancing Days. Mas só no vocal doce e no violão, já que os três teclados no palco e a presença de músicos multi instrumentistas fizeram do show simplesmente uma experiência. Dessas que podem acontecer às quintas ou sextas, basta sairmos de casa. Seja no “calor” de São Paulo ou no “frio” da Suécia. Lembrando que essas definições são muito relativas. E eu confesso que não falei nada. Então, para quem quer escutar palavras mais significativas: www.myspace.com/nilsemil
Não sei porque mas parecia que as palavras estavam mais expressivas no ar, me encantei de novo com toda a poética. Parei para prestar uma atenção maior às letras nesse show. A saborosa sensação foi completa e a gente viveu, medo do que?
O setlist todo novo,escrito à mão e do qual eu não consegui me aproximar antes do show foi uma inesperada concentração de palavras. Talvez por isso as letras se tornaram mais carregadas nessa noite. Mas não foram só as palavras, a intensidade com a qual os responsáveis pelo melhor show do ano do Mombojó se movimentavam no palco e levavam a música foi muito séria também.
Felipe confessou estar impressionado com as pessoas cantando “Singular” que, segundo ele, eles não tocam a mais de um ano. E se ele se sentiu assim, imagina a gente que foi presenteado. Banda e público concordaram com a beleza do show. Inevitável. Meu delírio da noite foi com “Vídeo game”, que eu nunca tinha escutado ao vivo. “Container” me fez prestar atenção a cada verso, principalmente ao Felipe gritando "não fique nervoso, a ira vai voltar!". Algumas músicas ao vivo são como poemas declamados em voz alta. A diferença entre ler um poema e escutá-lo na voz do autor é quase a diferença entre a versão de estúdio de uma música e sua presença ao vivo. Não que seja assim sempre, é bom demais ouvir Mombojó no fone de ouvido, mas me senti assim com Container:
"deixar o chão é poder voar
soltar minha mão na vai adiantar
as luzes e as palmas já são o bastante pra quem
quer se enganar e assim não há motivos pra se orgulhar”
“Cabidela”: sempre me apaixono! Essa foi especial... principalmente porque no último show em sp, no sesc, ela foi arrancada do setlist ainda pulsando. (ã??) “Nem parece” nunca passa despercebida, é uma música que ao vivo fica tão bonita! Fica colorida, não sei bem, fica assim. E eu estou escrevendo no sono de uma noite inteira entregue às palavras do Mombojó.
"Isso não é só um olhar
eu bem que tentei te dizer,
vc ñ quis acreditar em mim
Eu fui o alvo de um tiro certo
Fui condenado sem ter permissão
E os motivos, não me pergunte
pois o incerto não traz solução
Com a mudança tão esperada
eu me fazia acordar para ver o que aconteceu
Acordar para ver o que aconteceu
Não me faça desistir agora não
Não me faça desistir"
(Vídeo game - Mombojó)
Abrir com “Duas cores” deixa as pernas sem orientação, sempre! Essa é outra que nem tem duas cores, tem umas vinte ou trinta. A ponto da gente já não conseguir mais enxergar e distinguir as formas, senti o colorido que vem para enganar materializado. Foi disso esse show, eu acho, de palavras se tornando voz, simples assim. Uma leitura interpretada, eles conseguiram passar para a gente tudo. Tudo o que foi sentido no palco foi virou material, de forma que conseguimos captar todas as sensações. Mas é isso que faz um grande artista em uma grande obra de arte, não é?
“Casa caiada” pra mim é a mais bonita! E faz tantoo tempo que eu espero que ela seja tocada num show como "essa música estará no nosso próximo cd, se chama Casa Caiada". Quando a música foi lançada na internet há cerca de duas semanas só consegui pensar: eles vão tocar no próximo show! Foi linda, assisti arrepiada. Com calor. Depois com frio e fui embora com a lua. Felipe S disse que casa caiada é o nome de um bairro lá do Recife. No último cd da banda Eddie, tem uma música que recebe o mesmo nome: “Bairro Novo/casa caiada”, música lindíssima. Acho sempre legal ver a percepção de artistas diferentes sobre um mesmo tema:
Bairro Novo/Casa Caiada – Eddie
“Dia de luz
Festa do azul celestial
Casa Caiada
Água Salgada
Imaginando a vida toda submarina
Deitada na estampa colorida da toalha
Todas as cores secando ao sol
Todas as cidades ja estão em chamas
Consumidas por um desejo voraz
Quem sabe ainda sobre alguma chance
A tarde
O vento
E o mar (…)”
Casa Caiada - Mombojó
Quando a nostalgia vem à mente
Eu volto da cidade vendo a lua me assistir
Eu sei o meu terminal
O barro da rua, a lama do bairro
Sento na calçada e vejo a vida passar
Penso no passado e já posso afirmar
Casa Caiada, não sou mais quem fui
Sinto perigo em qualquer lugar
Sinto muito, mas não vou ficar
Eu sinto, mas não vou ficar
“Homem espuma” é sempre tão forte, dessa vez foi mais, senti um peso. Acho que daquele cansaço de lutar contra a correnteza. “Swinga”, “Saborosa” e “Para-quedas” não deveriam faltar em nenhum show! Acho que elas nunca faltam mesmo, mas é incrível a sensação que elas provocam, o corpo fica mais leve, dança mais fácil. Teve essa leveza, que também fez toda a diferença: um fundo de palco todo colorido, luzes claras. E as mais pedidas dessa noite foram: “A missa” e “Merda”.
Confesso q antes de ir ao show decidi que não registraria aqui, afinal já temos tantos registros de shows do Mombojó nesse blog que daqui a pouco ele pode mudar de nome. E aí eles vem e me surpreendem:
“Você vai ter que morrer
Pra eu parar de sorrir
Não vai se esconder
Tem que sair daqui
Quando parar de chover
Corre de mim
Assim tento te esquecer
E consigo dormir” (“Singular” – Mombojó)
E ouvindo cada palavra com uma atenção diferente tive aquela sensação deliciosa de saber exatamente porque Mombojó é sinônimo de banda preferida. Voltei pra casa às 5:45h escutando Mombojó...
Sabe quando acidentalmente algumas linhas são apagadas e pensamos que nunca mais conseguiremos obter a intensidade que havíamos alcançado sobre aquele assunto? E aí nos arriscamos, na eterna peregrinação humana de tentar de novo e o resultado acaba sendo melhor do que se o documento todo fosse recuperado em suspiro aliviado? Acho que é assim que me sinto com relação aos shows do Mombojó. Não que eu tenha apagado linhas, mas é que toda vez que eles marcam um novo show em São Paulo, eu corro para comprar o ingresso, como se fosse o primeiro ou o último show no mundo. Já que tanto em uma como em outra opção, a apreciação se faria com a mesma concentração. Daquelas de levar embora qualquer pensamento, para que nenhum deles leve a gente embora daquela sensação.
Isso pra falar que tivemos Mombojó no Sesc Pompéia quinta passada, 20/08. Já escrevi sobre show deles, inclusive no sesc pompéia, mas o que me parece é que todas aquelas linha foram apagadas e que hoje me vem o aparente desafio de tentar de novo. Apenas aparente, já que o show em si é todo outro e dessa forma, as linha não seriam senão outras. Talvez apagadas, já que não importa a língua escolhida, as palavras falam pouco. Mas o que queria fazer aqui era colocar um vídeo da linda “Papapa” dessa quinta, em pleno inverno. Uma música sobre um lugar que só tem verão:
Felipe S. disse nesse show que no primeiro show dos meninos em São Paulo, no Sesc Pompéia, Samuel estava gravando uma novela (foi isso mesmo que eu entendi?) e chegou atrasado, a primeira música foi tocada sem ele. Que história mais São Paulo, né? Ouvi um comentário de que eles só tinham colocado uma música do homem espuma no setlist do show, assustei com o comentário, nem percebi na hora. Mas a verdade é que quando se trata de set e sesc é um problema, os shows nunca são eternos o suficiente para a nossa ansiedade de fã quanto os shows do Studio sp. Mas esse set, por menor que tenha sido, já configurou um show novo, como comentei quando eles inseriram Absorva nos últimos shows. Abrir o show com "Merda" ecoou o dvd. E aí bateu uma nostalgia de tardes e tardes no sofá pirando com o “Mombojó ao vivo no Itaú cultural”. “Antimonotonia” parece que está melhor a cada show, mais delirante, mais trabalhada. “Amor de muito”, lindíssimo cover do Nação Zumbi foi de arrepiar. E “Swinga” simplesmente definiu tudo. Dessa vez, listo aqui o setlist ao invés de tirar foto, já que eu e o set estamos em cidades diferentes hahhah:
Merda
Duas Cores
Amigo do Tempo
Papapa
Swinga
Amigos Bons (Junio Barreto)
Nem Parece
Amor de Muito
Juízo Final
Antimonotonia
Faaca
Deixe-se acreditar.
E esse é sempre o meu reino da alegria, recomendo sem moderação.
O que ganhamos deles foi uma pista de dança como nunca encontramos antes e muito possivelmente nunca mais encontraremos:
“I close my eyes on the dance floor
And forget about you
I lose myself in flashing colours” (Skeleton boy)
Que delícia que foi viver esse Friendly Fires em plena segunda-feira, aqui em São Paulo. A noite desse 17/08/09 terminou em chuva. Mas só do lado de fora. Dentro do studio sp, 400 pessoas dançavam como se o mundo fosse acabar assim que a banda deixasse o palco. Um verão intenso se estabeleceu dentro da pequena casa de shows, quem não saiu pingando de suor não estava lá.
O setlist foi impecável, mas já era previsto: os caras tocaram todo o cd lançado em 2008 e a lindíssima e delirante kiss of life, que estará no próximo álbum. Mas uma surpresa, pra mim, veio com a presença de dois sambistas no palco. Eles fizeram parte dessa verdadeira loucura na qual se desdobrou o studio sp. É fácil perceber a influência do samba no som eletrônico do friendly fires, especialmente na nova kiss of life. Em entrevistas, Ed Macfarlane responde que conheceu o samba através de vídeos no youtube e que conhece muito pouco a respeito do Brasil. O incrível foi presenciar a conexão que surgiu entre esse país, no qual surgiu o samba e o show dos caras, inexplicável, estava muito além de um rítmo musical. A conexão fazia parte de um outro universo, aquele em que todos gritam juntos: “I'm lovesick!!!”. Uma das músicas mais empolgantes no show e mais interessantes do cd dos caras foi “Jump in the pool”, música na qual a gente fisicamente entra na piscina, simples assim, foi por conta dela que os integrantes foram atrás do samba, para que essa sensação fosse criada, a combinação foi mais que perfeita!
O Friendly fires é um trio, composto por Ed Macfarlane (vocal), Edd Gibson (guitarra) e Jack Savidge (bateria) e cresce ao vivo, contando com o guitarrista Rob Lee.
A banda se deu toda para o público. Ao final do show, o guitarrista Edd desceu ao centro da pista para dançar com os fãs. O clima de proximidade de um público que cantava todas as músicas, fez a intensidade crescer. O suor no rosto do Ed, visível nos vídeos, deixa claro o que o clima brasileiro contagiante fez com esses ingleses. O Ed samba e rebola melhor que qualquer brasileiro, espero que eles tenham curtido a vinda pro Brasil tanto quanto a gente pôde curtir.
Friendly Fires, you are all I need:
Tá, o set já era esperado. Mas isso não significou nada pra quem, assim como eu, via a banda pela primeira vez ao vivo, Skeleton Boy, minha prefer...., quer dizer, é difícil falar em preferida depois dessa segunda-feira! Mas Skeleton foi simplesmente assim! Uma exclamação na madrugada. A maravilhosa Paris (http://www.youtube.com/watch?v=4uEVFI-X9NM) não foi a mais cantada ou a mais suada, como eu esperava, todas foram! E não teve nem uma música em que fosse possível pensar em parar para descansar, queríamos mais! Creio que essa tenha sido a uma hora mais intensa de toda uma vida, no que foi um dos melhores shows de 2009. “Ex-lover”, já no bis, foi tocada com todo o gás e alguns minutos extras, fechando maravilhosamente a noite. Mas a gente queria mais, porque não?
As bandas de abertura trouxeram ao studio sp uma atmosfera toda amor entre guitarras hahaha, acho que isso se refere mais ao BROLLIES & APPLES. A provocação deles para a platéia de pouquíssima gente e a maioria de braços cruzados foi: “vocês tem que valer por 1000!”. Se referindo a enorme platéia para a qual tocaram na popload gig de sábado. Curti o show dos caras. Mas eles foram quase apagados de mim quando entrou no palco o Copacabana Club. Banda de Curitiba que faz um som fofíssimo! Muito animados, queriam a platéia dançando com eles. O show dos caras também foi visto por pouca gente, mas a platéia já estava encorpando anciosa para o FF. Convoco todos a conhecerem o som dos caras no dia 26/08 no studio sp e lembrando que nesse dia no studio, no projeto cedo e sentado, esse de graça, também tem o lindo Fóssil, já comentado por esse blog. Para não ter desculpas de não ir ao show, o Copacabana Club também toca em Campinas, no bar do zé em barão geraldo, dia 29/08!
No pós show, há três dias que eu olho para o meu ipod, meu ipod olha pra mim e a gente fala junto: Friendly Fires!! Meu corpo também ainda está gritando o nome da banda, ainda não me recuperei ahhahahha
Sesc Pompéia, prata da casa 10 anos:
Vanguart, Cérebro eletrônico e Karina Buhr.
É sempre bom curtir mais de uma banda na mesma noite. Parece que o clima de uma influencia o clima da outra, principalmente quando as bandas são de estilos bem diversos. E no final, fica tudo muito misturado. Que nem São Paulo. E que divertida que foi essa mistura no sesc pompéia. Ao final da noite, as duas bandas e Karina Buhr estavam juntas no palco. Essa mistura toda – os músicos tinham que se virar para achar algo pra tocar com os poucos instrumentos que tinha o palco do Vanguart haahah – resultou numa belíssima execução da música que foi considerada por muitos uma das melhores composições nacionais do ano passado: “dê”. Conheci uma banda nessa sexta-feira. Banda cujo vocalista é um ótimo dj que costuma abrir os shows do Mombojó lá no studio sp: Tatá Aeroplano. E de quebra assisti de camarote uma reunião fantástica no fim da noite. Foi Hélio Flanders que disse: “essa música já foi tocada hoje, aí falaram: você vai tocar de novo? Eu falei: belas canções precisam ser exaltadas, a gente vai tocar dê, uma das músicas mais bonitas da última estação!”:
“Dê” - Cérebro eletrônico
Dê amor
Dê paixão
Dê espera
Dê esperma
Dê prazer
Dê fogo
Dê uma nela
De carinho
De sacanagem
De sarro
De fato
Dê amor
Dê segurança
De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela
O show do Cérebro eletrônico abriu a noite e contou com participações mais do que especiais: Karina Buhr, cantora de voz lindíssima lá do Recife e Hélio Flanders. Curti demais o show dos caras, palco lindo, letras malucas resultando num clima que foi o mar projetado no telão envolvido em doações quando a primeira “dê” da noite entrou em cena. Lindo também foi a Karina Buhr com sua voz de uma intensidade suave compondo aquele cenário sem igual.
O que mais me surpreende na Karina é a quantidade de projetos nos quais ela se envolve. Além de cantora e compositora incrível, faz parte da banda “Comadre Fulozinha”, já cantou com o Mombojó no dvd da banda, faz participação em músicas da banda eddie, entre tantas outras banda das quais já participou, está atualmente divulgando seu trabalho solo e em uma das suas músicas traz na voz um alemão impecável, a lindíssima Telkphonen: (http://www.youtube.com/watch?v=wg1do0eACYU) e ainda possui um blog na mtv (http://mtv.uol.com.br/karinabuhr/blog).
E aí, nessa maravilhosa atmosfera que “dê” deixou pra gente, a noite foi preenchida de acordes de guitarra que dançaram em nossos ouvidos: “Just to see your blues eyes see” foi assim. E o show todo da segunda banda da noite, o Vanguart, foi vindo em forma quase de poesia, explodiu numa beleza toda dada e no final, pesava mais que um hemisfério:
“Se for pra te incendiar
Eu te empresto essa chuva
Divido o rio que eu tiver
esqueço a cidade que queimar depois”
Dizer que os acordes eram sentidos na força de um blues, na pose folk e até desenrolando num samba fofíssimo para que o peso de um fevereiro sem carnaval fosse sentido não é dizer nada. Enfileirar a ordem das músicas vale pouco também. Que esse post seja lido ao som dos caras, ou a escrita termina frustrada e pobre.
Setlist:
Para abrir os olhos
Promessas de navegação
Miss universe
Cachaça
Just to see your blues eyes see
Hemisfério
O mar
Antes que eu me esqueça
Cosmonauta
Robert
Into the ice
Semáforo
Beloved
Hey yo silver
Los chicos de ayer
Dê
O vanguart traz no som uma beleza muito delicada. A intensidade do folk cantado em inglês é complementado por uma profundidade que é toda do português. Parece confuso? Fica bem simples quando eles sobem no palco. Especial foi ver “Hey yo silver” e “Just to see your blue eyes see” pela primeira vez ao vivo. A versão da música “o mar” de Dorival Caymmi é sempre maravilhosa. Abrir o show abrindo os olhos foi até um susto: ansiedade saciada com a entrada da banda no palco e minha música preferida, pronto já dava pra prever que o resto da noite seria maravilhosa. E a poética da noite era simples como uma roupa que não serve mais e intensa como o primeiro pensamento da manhã.
Que se comemore o prata da casa 20, 30, 40 anos com essas bandas!
Deixo aqui um lembrete. O vmb da mtv desse ano indicou o cérebro eletrônico na categoria mpb. Também teve indicação pro Hélio Flanders. Outra banda muito bem indicada foi o Móveis Coloniais de Acaju para melhor show, indicação merecidíssima! Os caras fizeram um show fofíssimo na quinta no sesc da vila mariana. A banda deixa toda a sua energia para o público, é contagiante o show dos caras. Deixo aqui um vídeo:
From all the drugs the one i like more is music
From all the junks the one i need more is music
From all the boys the one I take home is music
From all the ladies, the one I kiss is music
Music is my boyfriend
Music is my girlfriend
Music is my dead end
Music's my imaginary friend
Music is my brother
Music is my great grand daughter
Music is my sister
Music is my favorite mistress
From all the shit the one I gotta buy is music
From all the jobs the one I choose is music
From all the drinks I get drunk of music
From all the bitches the one I wanna be is music
Music is my beach house
Music is my hometown
Music is my king size bed
Music's where I meet my friends
Music is my hot hot bath
Music is my hot hot sex
Music is my backrub
My music is where I'd like you to touch